A metamorfose da identidade de vítimas de estupro

Aluísio Ferreira Lima, Mariana Gonçalves Farias, Lia Wagner Plutarco

Resumen


Na atualidade, os crimes de estupro são responsáveis por estatísticas importantes, mesmo que os casos sejam subnotificados. Tem-se uma realidade em que as vítimas desta violência são, em sua maioria, culpabilizadas pelo estupro, por meio de variáveis como hábitos, vestimentas e comportamentos, como a roupa que estavam usando no momento em que o crime ocorreu, por exemplo. O objetivo desse artigo é apresentar alguns dos aspectos relacionados à produção identitária das vítimas de estupro, a fim de discutir os efeitos da culpabilização da vítima neste processo. Para tanto, foi utilizado o método teórico-interpretativo, cuja investigação realizou-se mediante a articulação entre a produção bibliográfica sobre o tema e a teoria da identidade metamorfose, desenvolvida no campo da Psicologia Social Crítica brasileira. Os resultados dessa articulação evidenciaram graves implicações psicológicas para a vítima decorrentes da culpabilização da violência sexual sofrida, resultantes das políticas de identidade de nossa sociedade. Concluiu-se que a teoria de identidade metamorfose pode contribuir para a análise crítica do tema, de modo a apresentar os efeitos da culpabilização das vítimas e as possibilidades de enfrentamento do estupro, por parte das mulheres.

ABSTRACT

At present, rape crimes represent notorious statistical data, although in most cases these are not reported. When the victims of this violence are considered, they are usually blamed for the violence suffered, using habits, such as clothes and behavior, as justification for the act. The purpose of this article is to present aspects related to the identity production of rape victims, in order to discuss the effects of the victim's guilt in this process. In order to do so, we use the theoretical-interpretative method, whose research we carry out through the integration between the bibliographic production on the subject and the identity metamorphosis theory, developed in the field of Brazilian Critical Social Psychology. The results of this articulation highlight serious psychological implications for the victim, derived from blaming her for the sexual violence suffered; as a result of the identity policies of our society. We conclude that the identity metamorphosis theory can contribute to the critical analysis of the topic to present the effects of the victims' blaming and the possibilities of confronting rape, avoiding revictimization and making viable the emancipation of the victims.


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